domingo, 18 de julho de 2010

assim como teus olhos

















a poesia não é feita de rima
é feita em cima
parte pra cima
e reclama da dor
amor
pavor

poesia essa que não tem métrica
é disléxica
feita no compasso
cai
se vai
amarra o cadarço
e morre de amor

tropeça, cai no riso
as vezes de improviso
a minha eu vomito
quase sempre quase minto

olho
colo
rio pra rima
e desola-dor

domingo, 4 de julho de 2010

Bons Tempos para uma Mudança.


Quando as luzes diminuem parece que algo lhe surge à mente.
"Por que ser tão masoquista? Seria possível? 
- Bons tempos para uma mudança"... - pensa ainda na penumbra.

Sua voz emudeceu, mas ainda assim conseguia manter-se em pé. Com suas últimas forças, ao mesmo tempo em que não sabia ao certo se falava sinceramente, disse uma última vez: "por favor, deixe-me".
Tinha medo dessa frase, uma vez que aquilo que pretendia abandonar fora sua glória e seu pior fracasso

- Por favor, deixe-me...
No entanto, noites sem fim sonha em poder ter aquilo que ama e odeia, embora já não saiba ao certo o porquê que ama e odeia essa patologia que fortalece ao mesmo tempo em que rouba a lucidez.

- Por favor, de uma vez por todas, deixe-me. Diz engasgando.
Não há mais forças para lidar com esse monstro imaginário tão sedutor, tão destruidor... que promete tanto, mas que foge ao abrir dos olhos. Companheiro das noites insones cobra tão caro por suas ilusões criadas sobre contos infanto-juvenis. Tudo já lhe fora entregue, porém ainda quer mais, mas já não há de onde tirar, o que restou quase não permite rastrear o que outrora existiu.

- Uma vez em minha vida, deixe-me...
Tão gentilmente como lhe é possível ser, junta os cacos de sua última discussão, guarda para outra hora seus afazeres, apaga a última luz e espera para que seu pedido seja aceito. Adormecendo, deseja que tal mudança se concretize e que seu doce e triste sentimento onírico possa ir-se de uma vez por todas... Prestes a perder à consciência uma voz lhe sussurra: "E se eu for, o que você fará"?